A tua pele por dentro: Tudo o que precisas de saber para perceber como ela funciona.

Sem termos complicados. Apenas o essencial, explicado de forma simples e honesta.

Porque deves ler este artigo?

Quantas vezes já compraste um produto com grandes expectativas e a tua pele simplesmente não respondeu? Quantas rotinas já experimentastes sem resultados consistentes?

A resposta raramente está no produto errado. Está no facto de nunca teres percebido como a tua pele realmente funciona.

Não precisas de ser especialista. Precisas apenas de perceber o básico, e esse básico vai mudar completamente a forma como olhas para os teus produtos e para as promessas que lês nas embalagens.

É isso que este artigo te dá. Simples, direto e baseado em ciência.

A tua pele não é uma superfície. É um órgão vivo.

A pele é o maior órgão do corpo humano. Cobre uma área de 1,5 a 2 m², tem várias camadas , células com funções específicas e um sistema de defesa próprio está em constante renovação. É a primeira linha de defesa contra o ambiente exterior bactérias, vírus, radicais livres, radiação UV, variações de temperatura. É também um órgão sensorial, termorregulador, imunitário e metabólico.

Não é uma esponja que absorve tudo o que lhe aplicas. é uma estrutura inteligente e seletiva, construída para te proteger, não para deixar entrar tudo.

O que a pele faz todos os dias , sem que percebas:

  • protege-te de bactérias, vírus, poluição e radiação solar;
  • Regula a temperatura corporal através do suor;
  • Impede que percas água em excesso para o ambiente;
  • Sente o toque, a temperatura, a dor e a pressão,
  • Produz vitamina D quando exposta ao sol;
  • Reconhece agentes estranhos e ativa o sistema imunitário.

Tudo isto acontece ao mesmo tempo, todos os dias. Por isso quando perturbas o equilíbrio da pele, com produtos agressivos, demasiados ingredientes ativos ou limpezas excessivas, as consequências vão muito além do que aparece no espelho.

E no entanto, quando pensamos em cuidar da pele, raramente pensamos nela como um órgão. Pensamos em textura, em brilho, em rugas na superfície. Mas a superfície é apenas a ponta do iceberg.

Este artigo é o primeiro de uma série de quatro sobre a ciência da tua pele. Começa aqui porque tudo o resto, a barreira cutânea, o microbioma, o envelhecimento, só faz sentido quando percebes como a pele está organizada por dentro.

Três Camadas da pele – Explicadas de forma simples.

A pele é composta por três camadas principais, cada uma tem um papel diferente e perceber esse papel ajuda-te a entender porque é que certos produtos funcionam e outros ficam apenas na superfície.

A Epiderme – o que vês e tocas

É a camada mais externa. a que está em contacto com o mundo. Tem apenas 0,05 a 0,1 milímetros de espessura, mas é extremamente eficiente.

Imagina a epiderme como um muro de proteção em constante renovação. As células nascem na parte mais profunda desta camada, sobem progressivamente pata a superfície ao longo de cerca de 28 dias e acabam por se soltar naturalmente. é o processo que chamamos de renovação celular.

Na epiderme vivem também os melanócitos (as células que produzem o pigmento que dá cor à pele e que protege da radiação solar). Quando falamos de manchas, de tom irregular ou de proteção UV, é sempre aqui que a história começa.

Cada produto que aplicas, cada ingrediente ativo que escolhes, cada agressão ambiental a que expões a pele tudo interage com estas camadas de forma diferente. Perceber onde cada coisa acontece é perceber porque é que algumas coisas funcionam e outras não passam de marketing.

É aqui na epiderme que a a maioria dos cosméticos atuam.

A Derme – o alicerce da pele jovem

A derme está por baixo da epiderme e é muito mais espessa (entre 1 a 4 milímetros). É aqui que está tudo o que associamos a uma pele jovem e saudável: firmeza, elasticidade e volume.

Pensa na derme como o colchão que suporta a superfície da pele. Quando esse colchão está cheio e bem estruturado, a pele parece firme e preenchida. Quando começa a perder volume e elasticidade, (por envelhecimento, exposição solar ou outros fatores), a superfície começa a ceder.

É na derme que estão o colagénio, a elastina e o ácido hialurónico natural. São produzidos por células chamadas fibroblastos, e a sua produção vai diminuindo com a idade.

Hipoderme – o suporte e volume

A camada mais profunda é composta principalmente por células de gordura que funcionam como almofada de suporte, isolamento e reserva energética.

Com o envelhecimento, esta camada perde volume, especialmente no rosto. É o que cria o aspecto descaído e a perde dos contornos faciais que associamos a uma pele mais velha. Nenhum cosmético consegue atuar aqui.

Resumindo: a epiderme protege, a derme sustenta, a hipoderme suporta. Cada camada tem o seu papel, e cada problema da pele começa em alguma delas.

A camada mais importante que provavelmente nunca ouviste falar.

Dentro da epiderme existe uma camada específica que é absolutamente fundamental para perceber o skincare – o estrato córneo. É a camada mais externa de todas, aquela que está literalmente em contacto com o ambiente.

A ciência descreve a sua estrutura com uma imagem muito simples: tijolos e cimento.

Os tijolos e o cimento

Os tijolos são células mortas e achatadas, completamente cheias de queratina ( a mesma queratina das unhas). Estão empacotadas de forma muito densa e organizada.

O cimento é uma mistura de gorduras que preenche os espaços entre essas células, principalmente ceramidas, colesterol e ácidos gordos. Esta mistura não é aleatória: tem uma proporção especifica que a ciência identificou como essencial para a pele funcionar bem.

Juntos, os tijolos e a argamassa formam uma barreira que faz duas coisas ao mesmo tempo: impede que coisas indesejadas entrem e impede que a água saia. É por isso que a pele saudável se mantém hidratada sem precisar de beber água a cada hora.

Quando esta barreira está danificada (por produtos inadequados, esfoliação excessiva ou outros fatores), a pele fica seca, sensível e reativa. Não porque seja assim por natureza, mas porque a sua proteção foi comprometida.

A barreira cutânea é como a parede exterior de uma casa. Quando está integra, protege tudo lá dentro. Quando tem fissuras, entra frio, humidade e tudo o que não devia entrar.

O pH da pele – porque este número importa?

Provavelmente já ouviste falar em pH, é uma escala que mede a acidez ou alcalinidade de uma substância, de 0 (ácido) a 14 (muito alcalino). A água é neutra, com pH 7.

A superfície da pele saudável tem um pH entre 4,5 e 5,5, ou seja, é ligeiramente ácido. E isto não é por acaso.

Porque é que a pele precisa de ser ácida?

Para produzir as gorduras da barreira – As ceramidas, (as gorduras mais importantes da barreira cutânea), são produzidas por enzimas que só funcionam bem em ambiente ácido. Se o pH sobe, essa produção diminui e a barreira fica mais fraca.

Para regular a renovação da pele – O processo natural pelo qual as células mortas se soltam da superfície também depende de um pH ácido para acontecer de forma controlada. um pH alterado pode tornar a pele mais grossa e opaca, ou descamar em excesso.

Para se defender de bactérias – A maioria das bactérias prejudiciais preferem ambientes mais alcalinos. O pH ácido da pele é uma das suas primeiras linhas de defesa naturais.

O que altera o pH da pele? Sabonetes de barra clássicos, que têm o pH entre 9 e 10, são um dos principais responsáveis. Produtos com álcool, esfoliantes agressivos e até a água da torneira podem perturbar este equilíbrio temporariamente.

A pele consegue recuperar o seu pH, mas em peles sensíveis ou quando a agressão é constante, essa recuperação é lenta. É por isso que a escolha dos produtos de limpeza tem tanto impacto.

A renovação da pele – porque os resultados demoram?

Uma das frustações mais comuns em skincare é a impaciência. Usas um produto durante duas semanas, não vês grande diferença e concluís que não funciona. Abandona e experimentas outro.

O problema é que a pele tem o seu próprio ritmo, e esse ritmo não se encaixa na nossa vontade de resultados imediatos.

O ciclo de 28 dias

As células da epiderme nascem na camada mais profunda e levam aproximadamente 28 dias a chegar á superfície e a soltar-se. É este ciclo, chamado de renovação celular ou turnover, que determina quanto tempo um produto precisa para mostrar resultados visíveis.

Com a idade, este ciclo abranda. Depois dos 50 anos pode demorar entre 45 a 60 dias. É por isso que a pele mais madura parece mais opaca e renova-se mais lentamente.

O que isto significa para o teu skincare?

  • Um produto precisa de pelo menos 4 a 6 semanas para mostrar resultados na superfície da pele.
  • Para alterações mais profundas, como a redução de rugas ou manchas, o tempo mínimo é de 3 meses.
  • Mudar de rotina a cada duas semanas impede que qualquer produto complete o seu ciclo de ação.
  • A consistência não é opcional, é um requisito biológico.

Dar tempo ao produto não é fé cega. É respeitar o ritmo biológico da tua pele.

O que consegue entrar na pele – e o que fica de fora

Esta é provavelmente a informação mais útil que podes ter para avaliar promessas dos cosméticos.

A pele não deixa entrar tudo. Tem regras, e a mais importante tem a ver com o tamanho das móleculas.

Imagina a barreira da pele como uma rede com buracos muito pequeno. só passa o que é suficientemente pequeno para caber nesses buracos. Moléculas grandes ficam de fora, independentemente do que a embalagem promete.

A ciência estabelece um limite claro: moléculas com mais de 500 Daltons (a unidade de medida do tamanho molecular), não conseguem atravessar a barreira cutânea de forma significativa.

Para teres uma noção: o colagénio que está nos cremes tem um peso molecular de cerca de 300.000 Daltons, ou seja, 600x acima desse limite. Por mais sofisticada que seja a formulação, essa molécula não entra. Fica na superfície.

Isto não significa que o produto não faça nada. Pode hidratar a superfície, melhorar a textura e dar conforto imediato. Mas não pode fazer o que promete: repor o colagénio que perdeste.

O que levas deste artigo?

Não precisas de decorar nada. Precisas apenas de ficar com estas ideias:

  • A pele é um órgão vivo e seletivo, não uma esponja.
  • Tem três camadas com funções diferentes: a epiderme protege, a derme sustenta e a hipoderme suporta.
  • O estrato cornéo é a barreira principal. Funciona como tijolos e cimento
  • O pH ácido da pele é essencial para a barreira, a renovação celular e a defesa contra bactérias.
  • A renovação da pele demora 28 dias. Os resultados precisam de tempo.
  • Nem tudo o que aplicas na pele consegue entrar. O tamanho das moléculas determina o que passa.

Com este mapa, começas a olhar para os teus produtos de forma diferente. Começas a fazer as perguntas certas. E isso, mais do que qualquer produto, é o que transforma o teu skincare.

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Este artigo tem carácter informativo e educativo, baseado em literatura científica atual. Faz parte da série “A ciência da tua pele” do blog Susana Lima Skin Lab.

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